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Deputados estaduais, vereadores e secretários de governo bem intencionados em relação ao meio ambiente têm proposto projetos de leis para obrigar o comércio a substituir sacolinhas plásticas por sacolas supostamente biodegradáveis.

Na imaginação das pessoas, essas embalagens poderiam ser jogadas fora sem causar maiores danos ambientais. Isto não é verdade. E os projetos de lei nessa direção, embora louváveis na sua intenção, padecem de um grave engano técnico. Se aprovados, terão o efeito contrário e ocasionarão graves transtornos ao ecossistema.

Os plásticos que essas autoridades imaginam biodegradáveis, na verdade, não o são. Trata-se de plásticos meramente oxidegradáveis ou fragmentáveis, que apenas se esfarelam. Eles recebem um aditivo que acelera seu processo de degradação. Contudo, não se biodegradam, porque não se decompõem em até seis meses, como prescrevem as normas técnicas nacionais e internacionais de biodegradação. As sacolas feitas com esses plásticos aditivados são incorretamente denominados de oxibiodegradáveis, caracterizando o apelo a um falso ecomarketing.

Os plásticos oxidegradáveis, quando começam a se degradar, dividem-se em milhares de pedacinhos. No fim do processo, não vão desaparecer e, sim, virar um pó que facilmente irá parar nos córregos, rios, represas, lagos, mares etc.

Tal fato foi amplamente comprovado por universidades e centros de pesquisa como as universidades de Michigan e da Califórnia, nos Estados Unidos, e Mackenzie, no Brasil, dentre vários outros institutos acadêmicos.

Todas estas entidades constataram que as sacolas plásticas aditivadas não se biodegradam nem na superfície de aterros; liberam substâncias orgânicas; depois de fragmentadas, não podem ser coletadas, nem recicladas mecanicamente e nem recuperadas energeticamente, pois o aditivo que recebem para acelerar o tempo de sua degradação pode ser prejudicial ao meio ambiente.

O que a população pode e deve fazer é praticar os “3 Rs”: reduzir o excesso de sacolas que são usadas para transportar compras; reutilizá-las, dando-lhes uma infinidade de novos usos, promovendo a coleta seletiva; e reciclá-las. O poder público pode ajudar de duas formas: aumentando a coleta seletiva municipal dos resíduos urbanos, uma vez que somente 7% das cidades brasileiras têm esse tipo de serviço; e estimulando a população a separar o lixo orgânico do reciclável dentro de suas casas.

As prefeituras também poderiam parar de jogar milhões de reais no lixo se, em vez de fazer aterros sanitários, construíssem Usinas de Recuperação Energética para gerar energia térmica e elétrica. Em todo o mundo, cerca de 150 milhões de toneladas/ano de lixo urbano vão para mais de 750 instalações para essas usinas, todas perfeitamente adequadas às mais rígidas normas ambientais. As embalagens e sacolinhas plásticas que todos utilizamos para embalar o lixo ajudam nesse processo, economizando combustível. Isso é possível devido ao elevado conteúdo energético dos plásticos, equivalente ao do óleo combustível e diesel.

Os plásticos são duráveis, leves, impermeáveis, resistentes, seguros, atóxicos, inertes, não mofam nem enferrujam. Daí porque os plásticos se tornaram indispensáveis à vida moderna. Se o material é tão bom e provém do petróleo (um recurso finito), ele jamais deveria receber um aditivo que acelerasse sua fragmentação, impedindo seu reuso! Isso é estimular o desperdício, o que vai contra as sociedades que pretendem ser ambientalmente corretas.

Francisco de Assis Esmeraldo é engenheiro químico, presidente da Plastivida Instituto Sócioambiental dos Plásticos, membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp.


Fonte: Jornal Correio Popular - 30/05/2009